Saturday, October 28, 2017

O colar mais belo


Na antiguidade, um grande Senhor caminhava por sua propriedade, cheia de escravos vindos de toda parte do mundo, e se deparou com um deles. Este se mostrava cabisbaixo e parecia meio sem ânimo. O Senhor, tendo-se na conta de um bom homem, perguntou-lhe:
- Por que tu pareces tão infeliz?
O escravo mal encarou-o e foi se lamentando:
- Ah, Senhor! Falta-me a liberdade...
Este argumentou:
- Ora, foste feito prisioneiro após uma batalha, assim como todos os teus. E tiveram a chance de se defender e perderam. Parece justo que agora me sirvam, não?!
Refletiu um momento o escravo e respondeu:
- Sim, parece justo, pois se houvéssemos ganhado a batalha tu serias nosso priesioneiro e nosso escravo.
- Ainda assim, diferentemente de outros senhores, vos deixo andarem livres sem correntes, apenas trazem ao pescoço o colar de ferro que indica que são de minha propriedade.
O escravo, tocando o colar, comentou:
- Este colar é muito pesado, meu amo. Lembra-me de tudo quanto perdi.
- Mas se concordas que tua condição não é injusta, o que perdeste, perdeste.
- Ainda assim, é uma condição muito dura.
O Senhor, que nem era de todo mal, meditou um pouco, e falou:
- Todos vós deveis trabalhar, mas que dirias se aqueles que se destacassem no trabalho recebessem um colar de outro metal, mais belo, mais leve, e quem sabe, até mesmo com pedras preciosas?
- Ainda assim, eu não seria livre. Respondeu o escravo.
- Mas se eu te libertasse, outro te faria prisioneiro. E ainda que libertasse a todos, outros os fariam escravos. Tu não estás na tua terra. E, ela nem existe mais. Por que não ouve meu conselho?! Mais vale um colar menos pesado do que o mesmo colar de ferro de sempre.
O escravo, pensou e pensou. Olhou à sua volta. Percebeu que as condições de trabalho eram difíceis, mas poderiam ser piores. E se fugisse, poderia até mesmo ser morto. E pior do que isso, sem a sua distante terra, poderia ficar jogado à natureza sem ter ao menos o que comer; a sua comida era ruim, mas ainda era comida. E, por fim concordou:
- Não seria tão ruim um colar mais leve.
O Senhor, satisfeito com sua própria bondade, foi logo propondo:
- Então, trabalhe mais! E se mostre feliz com o seu trabalho! Realizado isso, lhe darei um colar melhor.
Os dias passaram rapidamente e o escravo trabalhou sorrindo na sua dura lida na lavoura. Os seus outros companheiros perceberam a mudança e lhe perguntaram por que trabalhava assim. Ele lhes contou a proposta do Senhor. Quase imediatamente todos colocaram um sorriso no rosto e se puseram a trabalhar ainda mais.
Depois de um bom tempo, o Senhor, vendo o trabalho de todos, foi até o primeiro e trocou o seu colar de ferro por um de cobre, muito mais leve. E ainda lhe falou benevolente: Este, tu podes polir, e ele ficará lindo brilhando!
O escravo ficou muito feliz, e logo saiu exibindo a todos o seu prêmio. E logo passaram a invejá-lo. No entanto, em pouco tempo o Senhor também os premiou. Sempre cumprindo a sua promessa. E agora lhes prometia que o colar podia ser ainda melhor. Em pouco tempo os escravos se tornaram pessoas diligentes, disciplinadas, propondo novos métodos, novas formas de aumentar a produtividade, os rendimentos, etc. E iam assim, ganhando novos, estranhos e extravagantes colares. E todos iam se exibindo, achando cada um o seu mais bonito do que os dos demais.
Ao longo de alguns meses e depois de anos, o escravo acabou por fim, com um colar muito mais pesado que o original. Este era imenso, de ouro, cheio de pedras preciosas. Machucava o seu pescoço, mas ele não cansava de mostrar a todos o objeto maravilhoso. Mal conseguia carregá-lo, pois estava exausto  por tanto trabalhar. Suas responsabilidades quase matavam-no. E o soutros escravos ao invés de o dissuadirem de tanto trabalho, apenas o invejavam, e trabalhavam ainda mais, buscando o sucesso reluzente de um novo colar.
Alguns deles chegaram até mesmo a organizar disputas para saber quem tinha o mais belo colar. E os que ganhavam o prêmio pela beleza das suas correntes, sentiam-se ainda mais  incentivados a terem o melhor colar do mundo.
Um dia chegou um filosofo na grande propriedade. E pregou e ensinou sobre a liberdade para todos. Falou dos seus valores. Da grandiosidade da vida. E até se assustou, pois o grande Senhor, também veio ouvi-lo, e achou  que este acabaria por o expulsar dali. Ao invés disso este o ouvia com muito prazer, pois era um bom Senhor.
Por fim, o Filosofo, perdendo um pouco da sua paciência socrática, em meio a uma multidão de escravos, disse:
- Vós sois maioria, por que não vos revoltais? Por que não vos tornais livres?
Houve um certo burburinho. E, por fim, os escravos decidiram expulsar o homem, mas não sem antes lhe informarem:
- Se fossemos livres, quem nos daria sempre tão belos colares?!
- Mas vós serieis livres! Poderiam ter vossas próprias terras para arar! Escolheriam vossas esposas e esposos! Teriam filhos e estes seriam livres!
- Tudo isso já temos! – respnderam-lhe. Terras para arar! Esposas para cuidar! Filhos para seguirem fazendo o mesmo! Tu ofereces o imenso vazio, enquanto o nosso bom Senhor nos dá prêmios sem fim!
Aí, o filosofo, se sentindo esperto lhes informou:
- Mas os colares não vos pertencem! Como tudo, são do seu Senhor!
Ao ouvirem essa declaração, os escravos não tiveram a menor dúvida, mataram o Filósofo, que morreu dizendo: “Como pode o maior bem ser trocado por um bem qualquer?!”

O Senhor, ficou chocado com a atitude dos seus servos, mas compreendeu-os, pois isso era l[ógica pura. Eles continuaram satisfeitos com um colar melhor, e rindo do fracasso daqueles que não tinham mais forças para consegui-los.

Monday, August 28, 2017

O Elefante e a Formiga - parte 3


            Em meio a uma savana onde o mato crescia baixo, duas trilhas se cruzavam. Ambas bastante antigas, e ninguém sabia qual havia nascido primeiro. Numa bela tarde de sol se deu o inusitado encontro dos seus viajores. Vinha um grande elefante, liderando sua manada. Andava devagar, para que ninguém se perdesse, mesmo assim, vinha bem à frente do grupo. Em meio a mais um passo que iria dar, de repente teve sua atenção chamada para o chão:
- Ei, Senhor Elefante! Onde pensa que vai?
            Parou-o de forma muito arrogante uma formiga, enquanto descarregava o pequeno pedaço de folha no chão. Pronta para afrontar o maior animal da terra. As suas outras companheiras continuavam carregando suas cargas, alheias ao que acontecia. O Elefante, por possuir grandes orelhas a ouvia com facilidade. Era um formiguídeo bem nutrido, mas ainda assim, era um nada se comparado a ele. Eram os caminhantes das duas trilhas que se encontravam, os grandes paquidermes e as pequenas formigas.
            - Irei levar minha manada até o rio! – respondeu de forma igualmente arrogante.
            - Ah, só por que é grande acha que pode esmagar-nos? Quem você pensa que é? – falou despeitada.
            - Não pretendo esmagá-las! – afirmou cheio de autoridade: E eu não penso que sou! Eu sou o Rei dos Elefantes! E se você ficar de lado para passarmos, será muito saudável para você e suas amigas! Se observar pode até mesmo aprender algumas coisas!
            Extremamente irritada com tanta empáfia, e ao mesmo tempo curiosa com aquela arrogância, no entanto, cheia de ares de autoridade, a formiga perguntou aborrecida e com pouco-caso:
            - Ah e o que eu teria a aprender com o Rei dos Elefantes?! Vai me ensinar como ser a rainha dos paquidermes?!
            O Rei deu uma gargalhada diante da arrogância da pequenina, mas como possuía grandes orelhas e a ouvia, acreditou que ela também poderia ouvi-lo de verdade, e afirmou: Não!  Todavia, posso ensiná-la a como ser a Rainha das Formigas!
            Ao ouvir isso, algo se acendeu dentro dela. Deixar de ser uma operária e ser a manda-chuva do formigueiro. Apesar de não ter ouvidos tão grandes, ela sentiu que poderia ouvi-lo se ficasse de mente aberta para coisas novas. Foi logo perguntando, ainda cheia de pouco-caso:
            - Diga-me então, seu fanfarrão, como posso me tornar a Rainha, se nós formigas somos condicionadas às nossas funções?
            O Elefante, que nada mais queria do que alguém que lhe desse ouvidos, foi logo fazendo uma longa preleção:
            - Na verdade ninguém é condicionado a nada! Isso foi algo que lhe ensinaram para que continuasse a fazer seu trabalho sem nunca questionar. A sociedade das formigas é muito tacanha, atrasada e fechada! Vocês todas são escravas! Vivem para sustentar a elite!
            - Elite? Que elite?
            - Ora, a Rainha, as princesas formigas e as guerreiras! Elas comem todos os seus esforços, ou você não percebeu ainda?! Uma parte fica lá no formigueiro, no bem bom, só comendo e procriando, se enchem de larvinhas formigas; outra parte fica obrigando as operárias a ficarem nessa eterna fila, trabalhando sem descanso. Chegam até mesmo a oporem vocês aos Elefantes. Justamente a nós, nobres criaturas, que só desejamos o bem.
            E como se o limite fosse as estrelas, explicou para a inseta boquiaberta com suas revelações:
            - Primeiramente, você deve se destacar. Trabalhar mais do que todas as operárias juntas. Mostrar o seu empenho. Deve ser resiliente e sobretudo, inovadora. Mesmo as formigas da elite irão reconhecer o seu valor. Depois, deve se unir às operárias e pedir melhores condições de trabalho, e uma parte maior da comida. E, claro, você não irá trabalhar tanto para não obter vantagens para si. Não! Não! Não! Nada de altruísmo! Torne-se a encarregada das operárias. Uma verdadeira líder! Depois, quando conseguir se destacar, case-se com uma das princesas, ou um dos príncipes, aquilo que você preferir! E, logo, quando a velha rainha menos esperar, você vai lá e a desafia para um duelo. E, como você é jovem e forte, vencerá e terá todo o apoio do formigueiro, pois seu reinado significará o fim da opressão.
            Até os passarinhos pareciam terem parado de voar para escutar o belo discurso do Rei Elefante, e para terminar ele disse: Faça como eu fiz! Não estou aqui por que nasci nobre! Estou aqui por que sou um líder e conquistei o meu lugar!
            A formiga ficou encantada com aquelas sábias palavras, e mal tinha tido tempo de guardá-las no seu coraçãozinho, quando ouviu:
            - Agora, querida, por favor – pediu de forma doce, mas cheio de falsa bonomia – saia para o lado, pois eu irei passar! E saia ainda mais para o lado, pois a manada de elefantes é grande e não são tão bondosos quanto eu! Até mais! Foi um prazer conhecê-la! Quando for rainha me convide para um chá!
            A poeira que a manada fez ao passar nem havia baixado, e a pequena formiga já estava se esfalfando para ser a melhor operária.
            Os dias se passaram, e ela batera todos os recordes de produtividade. Havia carregado montanhas de pedacinhos de folhas. A ponto de não caber mais nenhuma no formigueiro. Ela era incansável, pois agora tinha um objetivo na vida, e iria alcançá-lo. Aos poucos ia conversando e tentando convencer as formigas operárias da necessidade de mudanças. No entanto, elas não possuíam orelhas de elefante e não a ouviam, e tentavam impedi-la de trabalhar tanto de forma desnecessária. Não sendo bem sucedida com as operárias, tentou convencer as guerreiras, enquanto continuava trabalhando sem cessar. Também sem sucesso, pois as guerreiras riram da pretensão de uma mera carregadeira. Levou algumas surras das formigas militares para aprender onde era o seu lugar.
            No entanto, ela já sabia qual era o seu lugar: era o da Rainha!
            O Elefante estava coberto de razão, pensava, jamais havia existido uma sociedade tão injusta quanto a dos formigas. Uma elite que sugava todos os seus esforços e uma rainha que de tão gorda tinham uma traseira imensa. Escravizava a todos dizendo que tinha de botar ovos. Mas esta formiga - tomada de indignação, e por que não dizer, ambição - acreditava que com o formigão certo, ela também poria ovos...
            As semanas passaram e passaram. E sua plataforma política não encontrava apoio. Sua energia não diminuiu, no entanto, a frustração tomou conta dela. Muita amargura, e a eterna sensação de que era prisioneira, que tinha sua liberdade de expressão tolhida. Aos poucos o ódio se apossou dela. Seria Rainha. Se não pudesse seguir todas as etapas que o Elefante lhe ensinara, iria pular todas elas.
            Num acampamento de homens próximo dali ela sabia existir a mais perigosa das armas. Fôra desde pequena alertada para não pegar aqueles pequenos grãos brancos. Mas agora não tinha outra escolha. Foi até lá. Pegou um daqueles misteriosos grãozinhos e o carregou lentamente para o formigueiro. Ia antegozando o seu futuro. Chefe! Autoridade Suprema! Rainha! Quase podia ouvir o coro das operárias, guerreiras e princesas tecendo hinos de glória à grande libertadora.
            Sem que ninguém notasse, ela deu formicida para a Rainha. Após o primeiro bocado, a pobre deu um grande grito de dor. Parou imediatamente de parir e morreu espumando pela boca. Pânico por todos os lados, as guerreiras ficaram desorientadas e sairam espetando as operárias, estas assustadas e confusas espalhavam-se e corriam para fora do formigueiro; as princesas formigas fugiam, pois não sabiam o que fazer sem a grande mãe. Enquanto isso, nossa heroína gritava:
            - Parem! Parem! Voltem aqui! Eu as libertei! Sou a nova Rainha!
            Chegou até mesmo a subir no topo do formigueiro. No entanto, via apenas multidões de formigas desorientadas se afastando dali para a morte certa a céu aberto. Sentada, entre lágrimas sentia-se a formiga mais triste e incompreendida do mundo. Tanto fizera pelo bem do formigueiro. Lutara tanto para chegar até ali, e o máximo que ouvira aos seus apelos foi o comentário de duas guerreiras: “Que quer aquela ali?” “Não ligue, é louca! Todo mundo sabe! Trabalhava mais do que o necessário e ficou assim”  
Em pouco tempo ela estava só. Tudo deserto, todas dizimadas ao sol, jogadas ao vento. Mesmo mergulhada em desgosto profundo, só conseguia pensar que havia fracassado. Que aquele Elefante arrogante iria se rir dela e jamais poderia convidá-lo para o chá para retribuir a empáfia com mais empáfia.

            Nesse ínterim, onde as trilhas se cruzavam, o grande Rei Elefante levava a sua manada novamente para o rio, e notou satisfeito que agora havia apenas uma trilha. Olhou para o chão, como se estivesse à cata daquela formiga, e cheio de satisfação, disse quase sussurrando, para os outros não pensarem que enlouquecera: Sou o Rei dos Elefantes, é isso que sou!

Friday, August 25, 2017

A Formiga e o Elefante



Em meio a uma savana onde o mato crescia baixo, duas trilhas se cruzavam. Ambas bastante antigas, e ninguém sabia qual havia nascido primeiro. Numa bela tarde de sol se deu o inusitado encontro dos seus viajores. Vinha um grande elefante. Andava devagar, parecia um pouco cabisbaixo, talvez por que estivesse sozinho, ou por que sentia-se assim. Já possuía certa idade e vivera tudo o que podia da elefantitude, no entanto, não perdera sua curiosidade. Em meio a mais um passo que iria dar, de repente teve sua atenção chamada para o chão:
- Ei, Senhor Elefante?! Onde pensa que vai?
Com suas grandes orelhas o som daquela voz arrogante quase parecia um grito, no entanto, era uma formiga. Respondeu-lhe de boa mente, até por que não tinha grande coisa a fazer:
- Ah, só estou caminhando por aí, por aqui, por acolá...
- E o Senhor pensa que enquanto fica à toa em suas caminhadas pode vir aqui e esmagar-nos com todo o seu peso?! – Vociferou a pequenina atrevida.
- Não, cara formiga – respondeu – eu pularei a sua trilha!
- Ah, isso não fará, não Senhor! – Disse-lhe de forma petulante. Não é por que é grande que pode nos subestimar e ir desrespeitando-nos pulando por sobre nossas cabeças!
Tomado de curiosidade com aquela formiga estranha e cheia de soberba, pensou que ela poderia lhe revelar coisas novas, e perguntou qual o motivo que o impedia de pular sobre a trilha, prontamente ela respondeu:
- Todos sabem que dá muito azar pular sobre uma pessoa...
- Que tipo de azar? – perguntou, nem se dando conta de que ela não era uma pessoa.
- A pessoa morre!
- Mas que interessante... – Fez ele, como se cofiasse o queixo diante de um novo fenômeno. E considerou que ela tinha razão, pois se um elefante pulasse sobre uma pessoa, as chances dela morrer eram realmente grandes.
- Tem razão! – disse ele – Mas você não é uma pessoa, por que eu deveria tratá-la como tal?
A Formiga sentindo que estava tendo atenção, foi logo, autoritária, mas de boa mente, informando:
- Não sei o que fazem na sociedade dos elefantes que ainda não sabem de uma coisa tão óbvia. Toda vida vale por uma vida. Logo se assim é, uma formiga é igual a uma pessoa, uma pessoa igual a um elefante, um elefante igual a outros elefantes e assim por diante. É a lógica que nos informa essa grande verdade.
Encerrou sua argumentação com ares de senhora da razão. O paquiderme ficou estupefacto com a sagacidade do inseto, e quis saber mais:
- Um Elefante é igual a um elefante, mas o mesmo se dirá das formigas?
- Ah, sim - afirmou ela -, todas vivemos numa situação de extrema igualdade. Temos funções diferentes, mas uma formiga equivale a outra formiga. E todas são muito importantes e nenhuma deve se perder. E acrescentou, com certa desfaçatez: Ainda mais por causa de um Paquiderme caminhando à toa por aí...
- O que sugere que eu faça então? – rendeu-se ao argumento, sentindo-se humilhado por ser surpreendido à toa refletindo por aí.
- Faremos o seguinte – propôs ela – Você me seguirá ao longo da trilha, e eu o levarei até o formigueiro, e lá o senhor o contornará, desviando-se assim do nosso caminho!
- Feito! – respondeu, mesmo por que, tinha todo o tempo do mundo.
Era um estranho par caminhando lado a lado. A formiga pela trilha, carregando sua folhinha, junto de outras operárias, e ele seguindo-a de perto, mas não tão perto para não causar um acidente. Enquanto caminhava, a trilha balançava um pouco, pois era muito pesado. A formiga pediu que pisasse mais de leve, e ele prontamente obedeceu.
Vários quilômetros depois chgearam ao formigueiro. Este estava em polvorosa, sendo chacoalhado pelas pisadas próximas do imenso animal. No entanto, apesar de alguns poucos desmoronamentos internos, a toca continuava bem. Lá chegando, ele contornou o formigueiro. E já ia se despedindo da pequenina, quando ela, percebendo que havia feito o maior animal da terra compreendê-la, caminhar e mudar seu caminho, se encheu de renovada energia, e foi logo dizendo:
- Onde pensa que vai, Senhor Elefante?
- Seguirei meu caminho! – respondeu
- Mas que tolice! Você não ia a lugar algum! – e ela até parecia boa quando convidou: Fique conosco, assim poderá conhecer mais sobre nossa vida e filosofia!
Ficou maravilhado com o convite. A sua curiosidade estava aguçada por um encontro sem limites entre elefantes e formigas. O que devo fazer? Perguntou-lhe.
- Sente-se aí ao lado do formigueiro e apenas observe! Como o Senhor é inteligente, logo aprenderá muito conosco!
E assim o fez, sentou próximo dali. Ficou dias e dias observando o vai e vem das operárias, das guerreiras, das princesas do formigueiro. Enquanto isso, a astuta formiga, chamava suas companheiras para verem o Elefante que ela havia dominado. Ah, sim, dominado. Conseguiu que até mesmo a grande rainha formiga, com seu enorme traseiro produtor de larvas formiguinhas saísse para ver o animal. E como última demonstração de poder, foi até ele e disse:
- Você tem sido um grande amigo para nós. Mas chegou o momento de ir embora!
- Mas fiz algo de errado? – perguntou inocente.
- Não! De forma alguma! Mas será de muito proveito para todos que vá para sua manada e que lhes conte sobre a nossa sociedade, nossa organização e capacidade de trabalho. Para um animal é difícil ouvir isso, mas espero que entenda, o quanto a sua comunidade é primitiva e inferior à nossa.
O Elefante, sentindo-se chateado, na verdade, bem triste e depreciado, terminou por concordar. De fato, as formigas eram superiores. E voltou então para a sua manada para explicar para todos eles em que triste condição da vida se encontravam.
Quilômetros depois, encontrou os seus. Estavam preocupados com sua longa ausência. E ele lhes contou feliz por onde estivera. Falou das suas pesquisas com as formigas e de como todos tinham muito a aprender. Elas eram muito melhores que eles, mais iguais, mais organizadas, eficientes, trabalhadeiras, e só não sabia dizer por que comendo a mesma coisa as duas espécies eram tão diferentes. Toda sua falta de capacidade de argumentar com uma simples formiga tinha desaparecido diante dos seus iguais. A manada toda ficou em polvorosa, todos queriam conhecer o formigueiro e sem tardar seguiram correndo para lá.

E de nada adiantou nosso protagonista pedir que pisassem de leve ou que não corressem tanto...

Sunday, August 20, 2017

O Elefante e a Formiga


            Em meio a uma savana onde o mato crescia baixo, duas trilhas se cruzavam. Ambas bastante antigas, e ninguém sabia qual havia nascido primeiro. Numa bela tarde de sol se deu o inusitado encontro dos seus viajores. Vinha um grande elefante, liderando sua manada. Andava devagar, para que ninguém se perdesse, mesmo assim, vinha bem à frente do grupo. Em meio a mais um passo que iria dar, de repente teve sua atenção chamada para o chão:
            - Ei, Senhor Elefante! Onde pensa que vai?
            Parou-o de forma muito arrogante uma formiga, enquanto descarregava o pequeno pedaço de folha no chão. Pronta para afrontar o maior animal da terra. As suas outras companheiras continuavam carregando suas cargas, alheias ao que acontecia. O Elefante, por possuir grandes orelhas ouvia-a com facilidade. Era um formiguídeo bem nutrido, mas ainda assim, era um nada se comparado a ele. Eram os caminhantes das duas trilhas que se encontravam, os grandes paquidermes e as pequenas formigas.
            - Bom dia senhora Formiga! – respondeu cordial. Estou levando minha manada até o rio mais adiante!
            - Ah, e por isso acha que pode nos esmagar na sua passagem? – continuou a formiga agressiva. Só por que é grande, não quer dizer que vale mais do que qualquer uma de nós!
            Ele estranhou o tom petulante, e tentou ser condescendente:
            - Não se preocupe, amiga! Eu pularei a sua trilha, e todos os meus também o farão! Estarão seguras!
            Acreditava que dizendo isso a tranquilizaria, no entanto, a pequena não parecia estar nos seus melhores dias:
            - Ah! Então é assim? Acha que pode vir e pular sobre nossas cabeças? Uma vida vale por uma vida! E nós formigas possuímos um formigueiro onde há muito mais vidas do que em toda a sua manada.
            O Elefante ficando surpreso, afirmou-lhe de boa fé:
            - Ora, eu não duvido de que assim seja! Mas, estou dizendo que ninguém sofrerá nenhuma mal. Só iremos passar por aqui e seguir nosso caminho.
            - Muito antes de haver elefantes por aqui a nossa trilha já existia! – Afiançou a formiga cheia de convicção. Vocês elefantes passam por aqui com freqüência, e nunca nem pediram licença!
            - Mas o que tem a antiguidade da trilha com isso?! Já prometi que iremos pulá-las e ficarão bem! - Insistiu, atônito.
            - Vejo que não me entende! - Exclamou a formiga. Bem, o que esperava eu de um chefe de manada de paquidermes! - disse de si para consigo despeitada. O que estou dizendo, Senhor Elefante, é que é um desrespeito pular sobre nossas cabeças! Nós estávamos usando nossa trilha primeiro! E se vocês vieram depois, naturalmente, manda o bom senso que ou vocês nos aguardam terminarmos nosso serviço para passarem ou devem dar á volta até o final da trilha, desviando-se do cruzamento e de todas nós!
            - Jamais ouvi tamanho absurdo! – respondeu o outro, com indignação.
            - Absurdo, por que?! Por uma formiga, um ser vivo, que pede para ser respeitada em sua trilha?! – disse-lhe, também indignada.
            - Não! Respondeu-lhe o Elefante: O absurdo é o tom, a arrogância e a petulância que estão na sua voz! Eu posso esmagá-la facilmente, mas digo que não o farei, que apenas pularei sua trilha, e você exige que minha manada caminhe quilômetros a mais apenas para que você se sinta respeitada conforme a sua própria convicção do que seja respeito?!
            A Formiga, não se deu por vencida:
            - O Senhor Elefante, sabe que dá muito azar pular sobre uma pessoa?
            A isso ele não resistiu e deu uma gostosa gargalhada, e foi logo dizendo de bom gosto:
            - Sei sim! Pular sobre uma pessoa dá muito azar, ainda mais se a pessoa estiver armada! Mas você é uma formiga!
            - O Senhor é muito arrogante! Menospreza os pequenos, ainda ri de nossa condição! - E completou, de forma ainda mais arrogante: Por aqui vocês não passarão!
            - Seja razoável, minha pequenina – pediu carinhoso o grande animal -, na manada temos elefantinhos recén-nascidos e outros em idade muito avançada. Se teme que as pulemos, por que simplesmente não abrem espaço para podermos passar?
            - Por que estávamos aqui primeiro! E temos o direito de aqui continuar!
            O Elefante, olhou para trás de si, e vendo que amanada o alcançava depressa, tentou dar termo à negociação, antes que o pior acontecesse. Por que pasmem, estranhamente, ele se preocupava com a formiga.
            - Tenha bom senso! Afaste-se e às suas demais companheiras! A manada está vindo!
            - Então, é assim que agem os elefantes! Contrapôs a formiguinha. Quando tudo falha partem para a ameaça!
            - Eu não a estou ameaçando, apenas estou avisando. Uma manada de Elefantes não se para assim, de imediato!
            - É ameaça sim! – teimou ela, cheia de si.
            Mas a manada chegava, e estava há alguns segundos de a tudo estraçalhar. O Elefante informou a formiga:
            - Eu a pularei, goste disso ou não! Mas aviso que depois que eu o fizer saia da frente, pois virão os outros!
            E assim fez. Mal havia pulado e a formiga começou a xingá-lo de todos os palavrões formiguídeos conhecidos e desconhecidos. E então... Uma manada de elefantes passou sobre ela.
            Após a poeira baixar, os elefantes já podiam ser vistos à distância, e as formigas continuavam carregando folhas pela trilha, menos uma. Talvez, a sua morte tenha realmente sido culpa do grande elefante, pois ele havia parado para lhe dar ouvidos...



Sunday, August 28, 2016

Sobre o que é Fábulas Cruéis - entrevista

Bem, este texto entrevista é para ajudar os que estão me perguntando sobre o novo livro, Fábulas Cruéis.


Sobre o que é Fábulas Cruéis?
O livro nasceu ao longo destes últimos cinco anos através das minhas experiências no dia a dia com o mundo e com os alunos e professores da universidade onde trabalho. As estórias versam sempre sobre relações éticas no mundo contemporâneo. Sei que falar as palavras “relações éticas” soa como uma coisa chata e pedante. No entanto, são estórias divertidas com as quais as pessoas se reconhecem, e acabam por fazerem uma reflexão e até mesmo autocrítica.
Como situar seu livro novo diante de Maria de Deus (1999); Memória Impura (2012) e Noite Escura (2013)?
Há um dado comum a todas elas, a reflexão moral. Ás vezes passa até despercebida pois não gosto de deixar essa questão evidente demais. Em Maria de Deus está a relação fundamental do homem, mulher neste caso, com Deus. O que fazer quando Deus nos “escolhe” não importando os nossos desejos pessoais? O que fazer com tudo o que nos ensinaram da relação com o divino? Neste livro eu estava em busca destas respostas. Em Memória Impura, rompi com o gênero épico e me voltei para a antiguidade clássica escrevendo dolorosos contos nos quais descrevia questões morais importantes para aquela época e que possuem reflexo em nossas necessidades contemporâneas; recheado de beleza, pureza, dor e desespero, ele não apontava caminhos, buscava apenas o aconchego da identificação com os leitores. Já em Noite Escura, acabei por romper com o gênero da Aventura, e também como o Histórico, implodindo de vez com a ideia de épico. Fui novamente para o cotidiano da antiguidade para pensar a questão da identidade masculina.
Fábulas Cruéis, escrito enquanto lançava Memória Impura e produzia Noite Escura, traz em si um pouco das marcas destes dois livros. Nele a reflexão moral, espiritual, filosófica e social, é pura – por assim dizer -, não é mais mediada por cenários e costumes pouco conhecidos. A reflexão surge pura e limpa, mas ainda não de maneira fácil, por que afinal, se fosse fácil, não seria meu.
No conhecido gênero das Fábulas, normalmente destinada às crianças, no que o seu livro se distingue?
Bem, novamente, no contexto editorial e literário, estou rompendo com o formato do gênero. Não sei dizer se propositalmente ou se isso ocorreu simplesmente por que sou fruto da contemporaneidade. Mas as formas narrativas, sob o pretexto de serem fábulas, são as mais diversas. Há textos como As Gaivotas, Uma Hipopótamo, etc, que não são mais do que um simples sketch, e poderiam ser publicadas numa tira ilustrada de jornal. A experiência mostrou que os leitores gostaram bastante deste formato, pois era curto, simples e direto ao ponto. O que ainda não significa uma reflexão simples.
Outras estórias são contos, ainda mantendo a inspiração das Fábulas, como Um Homem, Os Homens que falavam Estrela e Uma Galinha. Ainda há aquelas que são sobretudo metáforas existenciais, como A Casa Vazia, Uma Estória de Amor, Um porco, Um lobo, etc.
E ainda ocorrem as de cunho filosófico e existencial, que não são metáforas, mas claras provocações ao leitor contemporâneo e nelas são abordadas questões bastante complexas que vão das relações de gênero ao conceito de revolução e suas consequências. E aí posso citar Um Lar para Sara e Sônia, Um Veado, Os Homens que Falavam Estrela, O Coro dos Passarinhos, A Esperança, A Verdadeira Estoria do Patinho Feio, entre outras.
Revisitei Fábulas antigas e estórias infantis que todos conhecem também e lhes dei uma leitura nova, ou as vezes, apenas aprofundei, radicalizando o significado anterior.
Bem, pelo que vimos, não é um livro para crianças?
É e não é, depende muito da criança. As crianças hoje estão mergulhadas num universo de informações e saberão muito bem lidar com o conteúdo do livro. No entanto, é um livro que originalmente se destina ao público adulto. Um público que está sedento de ver seus problemas cotidianos retratados, questionados, devassados e enfim textos que abrem possibilidades, sem desejar lhes dar uma moral pronta e acabada como é típico no gênero. Pronto e acabado, apenas o livro.
Todas as estórias de Fábulas Cruéis foram escritas e publicadas ao longo dos anos em seu Blog e até mesmo no Facebook. Como foi essa experiência, e me diga, por que as pessoas comprariam o livro se as estórias, por vezes já são conhecidas?
A publicação no Blog e no Facebook foram fundamentais para a produção das estórias, pois as pessoas acessaram, opinaram, se identificaram e até fiz novos leitores com este trabalho. Essa sede de ler sobre questões éticas e morais do cotidiano fez com que eu continuasse escrevendo sempre. O público que acessou o Blog é um público pequeno e seleto, eu diria, afinal como texto da internet, minhas estórias são muito longas, mais apropriadas para um livro.
Por outro lado, venho ao longo dos anos investindo, e investindo alto, em livros que não são apenas um conteúdo interessante, mas são também um esforço para manter a existência do livro de papel, do objeto livro. Então, gosto muito de agregar valor a este conteúdo, com ilustrações em cores de Alma Tadema, em Memória Impura, que é um livro visualmente belo; em Noite Escura ocupei-me da capa e da editoração, e o resultado foi muito bem recebido. Fábulas Cruéis é um livro objeto, espero que as pessoas comprem por que desejam ler, e sobretudo por que o desejam como algo belo, um deleite para os olhos e para a mente. Quero que as pessoas olhem para ele e imediatamente pensem: vou dar de presente neste Natal! E quem fizer isso, irá ter a certeza de estar se dando um bom presente e aos amigos. Desejei qualidade em todos os níveis, e acho que a Editora Empireo, junto das ilustrações do talentoso Eduardo Seiji me deram isso.
Gostaria de acrescentar algo ?
Sim, gostaria de agradecer imensamente às pessoas que leram, comentaram, criticaram e participaram online deste trabalho. Ocorreram coincidências existenciais, estórias, momentos de identificação, tudo conversado e trocado via internet. Com certeza é o meu livro com maior participação coletiva no que respeita ao acolhimento e comentários. Essas pessoas emprestaram sentido à continuidade da escrita deste livro, e outras Fábulas já estão saindo no cotidiano, dando continuidade à essa fantástica e carinhosa relação.
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Olha só, Fábulas Cruéis já está em pré-venda!!

http://loja.editoraempireo.com.br/product/1123488/pre-venda-fabulas-crueis

Sunday, August 14, 2016

O Pai


Aquele cara que se acostumou a ficar em segundo plano, pois a mãe estava em primeiro lugar. E que só aparecia nos finais de tarde, sempre ausente, e quando presente, mal disfarçando o cansaço; parecendo má vontade. Alguém que você esperava o dia todo para ver e falar, contar as novidades, mas estranhamente ele só dedicava um “que legal” pra você.

O cara que a sua mãe defendia dizendo: Está trabalhando. Ou, “seu Pai não presta! Está bebendo, enquanto fico aqui cuidando de vocês, está com outra!” E que num divorcio não tem direito preferencial a ficar contigo, mesmo que mereça.

Ele era o chato que dizia que a vida é dura e que você deveria se preparar. É o mesmo homem que tentou te levar para o trabalho com ele, e te apresentou para aquele monte de amigos chatos, inutilmente sem conseguir despertar a sua vocação (que era ficar com a mãe).

O Pai, na sua adolescência, foi aquele covarde, vendido ao sistema que nunca peitava o patrão ou que era subserviente aos clientes. Macho dentro de casa, mas um vira-latas nas ruas. E, o mais terrível, o homem que “pegava” sua mãe, e você não entendia como aquela grande mulher se entregava para aquele banana panaca.

Ele foi o homem que traiu sua confiança, que esteve ausente na maior parte do tempo, traiu sua mãe e as expectativas dela, e nunca lhe deu o que você desejava. E se dava, era julgado como um chantagista.

Pai, o cara que conseguia dar a viagem de férias e estragá-la com seus comentários e suas ações. Aquele que proibia tudo, e com o qual sua mãe o ameaçava.

Foi ele quem inutilmente o incentivou a ser igual, mas você não queria isso. Desejava ser melhor, ou pior, mas nunca igual. Se ele era bem sucedido, você o via como um arrogante infinito em suas gabolices e chatices, se não era, você se envergonhava e não entendia por que justamente um ser superior como você tinha aquele traste como progenitor.

Ele é a pessoa que tentava participar da sua vida, mas todo mundo cortava as suas falas e ignorava. Foi, era e é o cara que quando tentava falar “eu te amo” era interrompido por qualquer coisa; e você achou que ele não disse. Sobrou o silêncio.

Sobrou o Dia dos Pais, no qual, constrangidos pela mídia, moda e sociedade, telefonamos e tentamos dizer alguma coisa. E quando ele ganha presente é carteira, cinto, sapato, roupas sempre iguais... Nada de show de Rock, nada de convites legais. É como uma formalidade triste que devemos cumprir como filhos e ele como Pai. Por mais que tenhamos conversado e perguntado, ele continua um desconhecido.

Dele só vimos o que fez, não o que sentiu e nem o que pensou. E quando eramos jovens, tudo o que ele sentia e pensava, era exatamente o contrário do que desejávamos.
Bem, agora que você é um homem (ou pessoa) adulto já sabe quem ele é e foi na sua vida. Vai lá, dá um abraço nele.

O Pai, é aquele cara que você só compreende quando passou por tudo o que ele passou. Quando ficou adulto de verdade e conseguiu saber onde ele estava todo este tempo. O cara que você só conseguiu valorizar quando pôde fazer a crítica da mãe (alguns nunca fazem). Ele estava ausente por que estava cuidando de você e da família. Estava cansado para se divertir contigo por que estava trabalhando. Se entregou ao sistema – não por que não tivesse sonhos – mas por que você precisava comer e construir a sua vida. Ele se calou para que você e outros familiares falassem, se negou para que você se positivasse.

O Pai, diferentemente da Mãe, é a pessoa que você aprendeu a amar com o tempo. Não foi imediato. Você tinha medo, respeito, carinho, dúvidas, anseios, cobranças, mas amor... O amor verdadeiro só veio depois quando você soube o que era o mundo e as pessoas, olhou para aquele resto encarquilhado que ficou em casa, e pôde lhe dizer: foi por mim Pai que você se apagou mesmo parecendo brilhar.

Neste dia vai lá, lhe dê um abraço, se conseguir, um beijo, se puder um “eu te amo” constrangido num abraço estranho.

Feliz dia dos Pais, para estes caras que se esvaziam de si e pouco ou quase nada recebem em troca.
Numa sociedade onde o Pai de Jesus (José) era figurante para Maria, e o outro Pai dele, inalcançável, parece que repetimos comportamentos.


Vamos lá, o seu Pai, não é o progenitor de Cristo, e sua mãe não é a Virgem Maria; os dois sabem disso, não seja você o último a saber. Vá lá! Dê um abraço no homem que em primeiro lugar mostrou o que era o mundo e as pessoas pra você e que com o seu exemplo te preparou para não fazer feio demais.

Cápsulas de Tálio